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Do on-line às agências, o Sebrae como um hub da pequena empresa no Estado do Rio de Janeiro

João Estrella de Bettencourt

os últimos anos, o perfil do empreendedor vem se alterando, o que se percebe, particularmente, nas micros e pequenas empresas. Desenvolver o próprio negócio deixou de ser, para muitos, uma alternativa em tempos de crise para se tornar um objetivo de carreira.

Nesse contexto, um fator se sobressai: a conectividade. A palavra serve para descrever não somente a busca pela tecnologia e pela atuação através de canais on-line como também o crescimento dos negócios com a formação de redes colaborativas.

Diante dessas novas necessidades, interesses e até hábitos, o mercado precisa se adaptar. É dessa análise que nasce a profunda reestruturação que o Sebrae Rio, principal instituição de apoio e representação do setor, está realizando em sua rede de atendimento e que Economia Rio traz aqui em primeira mão.

 

Uma nova estrutura para um novo empreendedor

“Tivemos, no Brasil e no Rio, principalmente, muitas mudanças econômicas e houve, junto a isso, uma transformação cultural. As pessoas decidem empreender independentemente de terem um emprego. Os sonhos são outros. Os mercados são globais. Fomos adaptando a oferta de soluções, de consultorias, de capacitações – as redes sociais, por exemplo, se tornaram imprescindíveis. Mas fomos percebendo também que, além de modernizar e trazer novos temas, precisávamos repensar a própria estrutura”, explica, entusiasmada, a gerente de Atendimento do Sebrae Rio, Flávia Guerra.

Essa evolução, segundo ela, se baseia em dois pontos centrais:

1) A diversificação e o ganho de agilidade no atendimento on-line e remoto. Hoje o empreendedor já pode contatar o Sebrae por diversos canais. É possível mandar perguntas por e-mail, fazer uma consulta por telefone – pelo 0800 – ou pelo chat, no portal do Sebrae Rio. Tudo sem agendamento prévio. Fora o atendimento de porta a porta.

“Todos esses formatos vão continuar”, salienta Flávia. “Mas cada um deles vai agregar novidades. Serão integrados a novos aplicativos, que os tornarão mais próximos, adaptados e acessíveis para os diferentes interesses e meios das micros e pequenas empresas. E outras possibilidades serão criadas, como o atendimento por videoconferência ou terminais de autoatendimento, que podem inclusive estar em um shopping ou em uma grande rede varejista, onde o empresário já vai normalmente comprar insumos”, complementa.

2) A transformação, conceitual e física, da rede de agências do Sebrae, que se tornarão espaços de interação, possibilitando trocas de experiências, parcerias e encadeamentos produtivos. Trata-se de derrubar paredes, física e metaforicamente, para que cada agência passe a ser menos um lugar para se aprender sobre negócios, individualmente – papel crescentemente absorvido pelos serviços on-line –, do que um lugar para se fazer negócios em rede.

“A maioria das pessoas hoje, por questões de mobilidade e de tempo, procura resolver tudo o que pode sem se deslocar. O cliente do Sebrae não é diferente. Tudo o que ele puder fazer on-line ele já faz. Por isso, a agência precisa ganhar um novo sentido. Vamos manter o atendimento individualizado, que aí, sim, é com agendamento prévio, para que haja um especialista adequado às questões específicas que foram demandadas; mas é preciso abrir uma outra dimensão. Corresponder às necessidades do empreendedor, no mercado atual, se sente muito sozinho e precisa de um ecossistema”, detalha Flávia. “Isso significa agregar novas formas de atuação e fazer da agência um espaço do próprio empreendedor.”

 

Programação fixa e modelagem de negócios

Para chegar lá, será realizada uma reorganização de atividades e objetivos, como sublinha a gerente: “Hoje temos palestras e workshops, que são importantes, mas muitas vezes, para a pequena empresa, acabam sendo pontuais. Então, com essa mudança, vamos implementar uma grade fixa de eventos e, ao mesmo tempo, focar na modelagem e prototipagem de negócios. Digamos, por exemplo, que toda quarta-feira vai ser o dia das oficinas de modelagem. O empreendedor vai receber essa programação – é só se inscrever no portal – e, imediatamente, passará a fazer parte de um grupo,  no qual, junto com outros, trocará aprendizados e oportunidades”, destaca ela.

“Essa visão colaborativa vai permear toda a nova concepção do espaço. Será possível fazer, na própria agência, reuniões ou contatos entre os próprios empreendedores, ou entre grupos de empreendedores e o Sebrae”, conclui. Para ela, as agências passarão a ser “quase um hub para o desenvolvimento do negócio”.

Flávia cita, inclusive, o exemplo da chamada cultura maker, ligada à tecnologia e muito forte entre os jovens: “Várias vezes são muito criativos, com excelentes ideias, mas não têm experiência. Com a grade fixa e o foco na modelagem, eles poderão vir para o Sebrae e estruturar o projeto antes de se lançarem no mercado. E mais: como é uma operação em rede, podem se aproximar de outras empresas, com organizações já maduras mas que, por sua vez, precisam de inovação. São pontas que se unem.”

 

Primeira etapa: sete agências até 2019

A renovação das agências já está em curso. Duas ficarão prontas ainda este ano – Petrópolis e Centro do Rio –, e mais cinco no ano que vem: Friburgo, Campos, Nova Iguaçu, Niterói e Barra. “Temos 14 agências no estado, então essas sete que constituem a fase 1 do projeto foram escolhidas pela maturidade de uma série de fatores, como densidade de empreendedores, atratividade e circulação de pessoas. E, também, pela existência de parceiros que pudessem se integrar ao Sebrae nessa iniciativa, como universidades ou centros tecnológicos. Esse recorte já representa 80% dos atendimentos, mas posteriormente, na fase 2, alcançaremos os outros 20%, incluindo todos os 14 espaços”, expõe a gerente.

Flávia ressalta, no entanto, que as agências que comporão a fase 2 não são menos importantes: “A questão é que nessas primeiras conseguimos rapidamente estruturar, dar uma cara e consolidar o planejamento (VER TABELA). Mas, em seguida, vamos ter evoluído, aprendido com o que já terá sido feito, de modo que, acredito, a implantação será muito mais acelerada.”

A conclusão? Por todo o estado, espaços se conectam e o Sebrae avança no acolhimento ao empreendedor, para a criação, em suas próprias agências, de um novo ambiente de negócios.

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