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O petróleo pode não acabar tão cedo

Como todos os Fluminenses sabem, o orçamento do Estado do Rio de Janeiro depende, em parte, das receitas advindas do petróleo, através de royalties e participações especiais pagos pelas petroleiras. É verdade que nem tanto quanto se supõe. Desde que se pagam essas compensações, a partir de 1999, nunca foram superiores a 14% da Receita Corrente líquida obtida pelo Estado. Mas, são certamente, muito relevantes.

Vale dizer que os royalties e participações especiais são utilizados para pagar o buraco previdenciário. Sem esses recursos, a crise econômica do Estado teria sido sentida há muito mais tempo. E, embora muitos críticos digam que não deveriam estar sendo usadas para cobrir despesas do passado, não conseguem sugerir como o buraco poderia ser tapado sem se dispor dessas receitas.

Similarmente aos principais países produtores de petróleo, as receitas do Estado do Rio dependem do preço do petróleo. Portanto, a discussão de como se comporta essa variável deve fazer parte das preocupações de toda a sociedade. Dele dependemos, gostemos ou não. É claro que se espera que, no futuro, a dependência seja reduzida. Mas, não se enxerga, neste momento, no horizonte, quando esse tempo virá.

E o preço do barril, para enlouquecer os governadores e Secretários de Fazenda, têm variado de modo abrupto ao longo do tempo em que o Estado do Rio tem recebido os royalties e participações especiais.

Vários eventos podem explicar a oscilação ao longo do tempo.

Desde a derrubada das torres gêmeas nos Estados Unidos até a recessão mundial, a influência da geopolítica no preço do petróleo é uma realidade. Claramente, essa commodity não é precificada pelo seu custo.

Longe disso.

As variáveis que explicam as oscilações são sempre complexas e muito difíceis de serem previstas.

Duas experiências que vivenciei podem mostrar como as certezas nessa área são derrotadas pela realidade. Em 2002 no Congresso Mundial do Petróleo, realizado no Rio de Janeiro, com dirigentes da OPEP e CEOs das principais empresas de petróleo, apostava-se que o preço do barril do Brent ficaria entre US $ 22,0 e US 28,0 até 2010. Em 2003 atingiu o valor de US 42,0!!!!!!

Em 2012, em Londres, tive uma reunião com o staff de uma gigante do petróleo mundial. O chefe do setor de estatística, área da empresa reconhecida mundialmente pela excelência, afirmou que o petróleo nunca mais cairia abaixo de US 100,00 o barril. Foi a US 38,0 em 2015.

Muita gente ouviu vários sábios dizendo que o petróleo acabaria. Mas a realidade é que o desenvolvimento tecnológico vem aumentando as reservas, fazendo com que as fronteiras se alarguem, permitindo a exploração em reservas que eram antieconômicas como o faturamento hidráulico (fracking) nas bacias dos EUA e no pré-sal brasileiro.

A boa notícia para o Estado do Rio é que o pré-sal vem se mostrando altamente rentável, que as possibilidades de aumento de produção se tornam cada vez mais prováveis pelos próximos 30 anos. A má notícia é que a imprevisibilidade do preço é uma realidade. Que tal pensarmos em um hedge do preço do barril para aumentarmos as nossas incertezas no orçamento do Estado do Rio de Janeiro?

Acho que seria um bom caminho.

Julio Bueno é Engenheiro Metalúrgico pela U.F.R.J; Mestre em Engenharia de Fabricação pela Universidade de Birmingham, Reino Unido. Foi Presidente do Inmetro, Presidente da Petrobras Distribuidora, Secretário de Desenvolvimento Econômico do Espírito Santo, Secretário de Desenvolvimento Econômico e Secretário da Fazenda do Estado do Rio de Janeiro

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